Subasta Bidspirit | [CAMILIANA] Mello, Adelino das Neves
[CAMILIANA] Mello, Adelino das Neves e – CAMILLO CASTELO BRANCO. Lisboa. Portugalia. S.d. [c. 1904-1912]. 27 (3) pp. 20,8 cm x 13,7 cm. E. - 1.ª edição portuguesa. O opúsculo foi originalmente publicado no Pará, em 1899. O autor escreve sobre as suas impressões após saber da notícia do suicídio do áureo escritor. Inclui ainda excertos de cartas inéditas de Camillo para o autor, uma delas de grande hilaridade, pois que o autor lhe havia contratado um burro com grande apetite sexual. Noutra, troca breves impressões sobre o realismo em Eusebio Macario e tece críticas duras a Eça de Queiroz. Adelino das Neves e Melo, Filho nasceu em 1846, durante uma viagem marítima perto das ilhas de Santa Helena, sendo posteriormente registado em Sobral de Monte Agraço. Faleceu em Lisboa em 1912. Era descendente de um médico que leccionou Filosofia na Universidade de Coimbra e dirigiu o Jardim Botânico, tendo também exercido como Físico-Mor na Índia e em Macau e a sua mãe era de origem filipina. Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, Neves e Mello ocupou diversos cargos públicos ao longo da sua carreira: foi Comissário da Polícia em Coimbra e serviu como cônsul em vários locais, incluindo Zanzibar, Demerara (na Guiana Inglesa), Pará — certo ser deste período a 1.ª edição — e Rio Grande do Sul. Em 1904, regressou a Coimbra, e dois anos depois estabeleceu-se definitivamente em Lisboa, onde viveu até à sua morte. Deverá ser deste período, portanto, esta edição. Como autor, dedicou-se a variados temas, entre os quais se destaca o seu trabalho sobre cultura popular, publicando obras como Músicas e Cantigas Populares , em 1872. Bom estado geral de conservação. Encadernação singela com lombada em percalina e rótulo frontal. Duas vinhetas nas guardas de abertura, sendo a do verso da pasta anterior, da Livraria de Gustavo d’Avila Perez e a da guarda confrontante da célebre Livraria Camiliana de Pedro “Alvellos”; no verso desta, estão presentes os ex-libris de ambos, assim como uma vinheta e um carimbo de catalogação. Interior muito limpo. Miolo com a cosedura levemente solta, mas firme. Bastante invulgar e muito interessante documento camiliano, que tem sido, a nosso ver, bastante desvalorizado. Exemplar n.º 21 (da tiragem especial dos n.ºs 10 a 25 em papel Coquile, numa impressão total de apenas 250 exs.).